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ESG: Investindo com Propósito e Retorno

ESG: Investindo com Propósito e Retorno

16/12/2025 - 23:44
Fabio Henrique
ESG: Investindo com Propósito e Retorno

Em um mundo em transformação, investir com consciência e estratégia é fundamental. O ESG surge como resposta às demandas de um mercado que busca alinhar lucro e propósito.

A relevância do ESG cresce conforme os riscos climáticos, sociais e de governança se tornam prioridade para investidores, consumidores e reguladores em todo o mundo.

Conceito e Importância do ESG

O termo ESG refere-se a critérios ambientais, sociais e de governança que guiam investidores na avaliação de empresas. Essas práticas vão além do desempenho financeiro, incorporando fatores que podem reduzir riscos e gerar valor a longo prazo.

Empresas que adotam políticas ESG costumam atrair capital de investidores institucionais e individuais preocupados com retorno financeiro sustentável a longo prazo e com a reputação corporativa.

A integração desses critérios no processo decisório contribui para a gestão de riscos climáticos e reputacionais, fortalecendo a resiliência diante de crises e eventos inesperados.

Cenário Global: Crescimento e Desafios

Atualmente, mais de um terço dos ativos sob gestão no mundo são classificados como ESG. Estimativas apontam que esses investimentos alcancem 53 trilhões de dólares até 2025, reforçando que o tema não é passageiro, mas sim uma tendência consolidada.

Em 2020, o total era de 35 trilhões, o que demonstra o ritmo acelerado de adoção dessas estratégias. A Ásia Pacífico e a Europa lideram o fluxo de recursos, embora enfrentem saídas líquidas ocasionais em função de ajustes regulatórios.

Apesar de volatilidades e retrocessos em políticas públicas, sobretudo em alguns países da Europa e dos Estados Unidos, os recursos alocados em ativos responsáveis continuam em alta, movimentando setores como energia limpa, tecnologia social e saúde comunitária.

Panorama Brasileiro: Números e Potencial

No Brasil, o patrimônio sob gestão de fundos de fundos ESG atingiu entre 34 e 37 bilhões de reais em julho de 2025, com alta que varia de 28 a 48 por cento em um ano. O segmento ainda representa apenas 0,37 por cento do total da indústria de fundos, o que indica um potencial de crescimento expressivo.

Desses fundos, os chamados IS, com compromisso formal, concentraram 25,7 bilhões de reais, o que corresponde a 76 por cento do total. Já os ESG-related, sem formalização, somam 8,3 bilhões.

O número de fundos ESG chegou a 193, entre renda fixa, ações e multimercados. Isso reflete não apenas o apetite dos investidores, mas também a evolução na governança corporativa nacional.

Retorno Financeiro e Performance

Estudos recentes demonstram que, desde abril de 2022, fundos de ações IS valorizaram 41 por cento, enquanto o mercado tradicional subiu apenas 21,9 por cento. O índice de sustentabilidade da B3, por sua vez, registrou alta superior a 22 por cento no período.

Em comparação, o Ibovespa apresentou alta de 15 por cento no mesmo intervalo, evidenciando que estratégias ESG podem superar índices tradicionais em determinados ciclos.

Esses resultados reforçam a visão de que práticas responsáveis podem gerar maior resiliência frente a crises e oscilações de mercado, traduzindo-se em ganhos sólidos para investidores preocupados com estabilidade e impacto.

Tendências e Comportamento do Investidor

O perfil de cotistas brasileiros mudou significativamente: a predominância de renda fixa ESG reflete a busca por ativos indexados à Selic, em um cenário de juros elevados. Entre dezembro de 2024 e julho de 2025, o número de investidores saltou de 80 mil para quase 150 mil cotistas.

  • Pressão regulatória crescente
  • Maior conscientização socioambiental
  • Preferência por estratégias de mitigação de risco

Hoje, fundos ESG de renda fixa respondem por 78 por cento do patrimônio do segmento, enquanto ações perderam espaço para a aversão ao risco.

Desafios e Oportunidades

O mercado ESG enfrenta desafios, como a necessidade de transparência e maturidade nos relatórios de sustentabilidade, especialmente em empresas de menor porte, e a melhoria no letramento financeiro de gestores e investidores.

  • Definição clara de métricas ESG
  • Inovação em instrumentos de blended finance
  • Adequação a normas da CVM e padrões internacionais

Ao mesmo tempo, há espaço para crescimento, com empresas de médio porte planejando ampliar investimentos e com a expectativa de novas emissões de títulos sustentáveis.

Recomendações para Investidores

Para quem deseja construir uma carteira alinhada aos princípios ESG, algumas estratégias trazem mais segurança e diversificação:

  • Avaliar relatórios de sustentabilidade detalhadamente
  • Escolher fundos com gestor experiente em ESG
  • Diversificar entre renda fixa, ações e títulos verdes

Também é recomendado acompanhar indicadores de desempenho e riscos, além de participar de fóruns especializados para trocar experiências e insights.

Perspectivas Futuras

Especialistas estimam que a regulamentação brasileira, com regras mais rígidas para reporte de riscos climáticos a partir de 2026, deve impulsionar ainda mais o setor. Além disso, iniciativas como COP30 e compromissos corporativos globais devem acelerar a emissão de títulos sustentáveis e a adoção de metas de descarbonização.

Pesquisa da Grant Thornton indica que 80 por cento das médias empresas nacionais planejam ampliar investimentos em ESG, reforçando a tendência de crescimento e o potencial de impacto concreto na sociedade.

Conclusão

O ESG deixou de ser um jargão para se tornar um pilar estratégico de investimentos. Ao combinar equilíbrio entre propósito e lucro, essa abordagem demonstra que é possível gerar impacto positivo no meio ambiente e na sociedade sem abrir mão de resultados financeiros robustos.

Investir com responsabilidade é mais do que uma escolha ética: é uma estratégia que pode maximizar retornos e proteger patrimônio diante de desafios globais. O futuro pertence a quem alinha valor e valores.

Fabio Henrique

Sobre o Autor: Fabio Henrique

Fabio Henrique